Fim do primeiro ano

28 06 2010

Finalmente estou em férias ! Acabou o primeiro ano da Ecole, pelo menos as aulas: ainda preciso validar todas as matérias. Minha situação de notas não é das melhores. Ainda preciso esperar algumas notas para saber se estarei em recuperação em algumas matérias, e uma recuperação eu ja sei que terei que fazer : apesar de ter ficado com nota acima da média na disciplina, tirei abaixo da nota minima na prova, logo, preciso recupera-la. Essa prova sera no dia 6 de julho.

A ultima parte do primeiro ano, depois das férias de abril, contou com 10 semanas de aulas sem interrupção, incluindo ai 8 provas e todos os trabalhos das disciplinas que precisavam. Nesse meio tempo, fizemos a mudança do Joia, Yuri e Christian no inicio de junho e da Tati e Thais no ultimo final de semana. Ainda, fizemos em maio a visita aos Castelos do vale do Loire. Em maio, fui eleito presidente do Club Time para a gestão 2010-2011, sendo que a Cris é a tesoureira, e temos ainda um russo e uma chinesa como secretario e vice-presidente, respectivamente. Teremos como missão organizar as viagens e eventos do Club TIME para o ano que vem, incluindo a recepção dos novos G1.

Comecei a jogar tênis mais a sério aqui na Ecole graças à chegada do Kevin, colorado de Nantes que esta me ensinando fundamentos basicos do esporte. Comprei também, para desespero das minhas notas no ano que vem, um Playstation 3 e um Guitar Hero com todos os instrumentos que deve chegar pela semana que vem. \m/

A Ecole esta mais bagunçada do que nunca. Graças à reforma, da qual ja falei em alguma postagem antiga, estamos num estado de desorganização infernal. Não temos informação de nada e não sabemos as regras de nada. E acontece de tudo: apresentações de trabalhos do inicio do semestre agora no final, e o professor simplesmente não aparece na aula. Provas cujo conteudo principal é uma matéria que mal foi citada em aula. Provas de economia com 73 questões objetivas (subjetivas na verdade) extensas cuja capacidade avaliada é a de memorização. Aulas de economia onde o professor aparece sem o questionario, passando este oralmente, e também não conhece o enunciado dos exercicios. E por ai vai.

Copa do Mundo também esta rolando! Acompanhamos aqui o fiasco francês, que é motivo de chacota pelos proprios! Ninguém da a minima para a seleção nacional, nem mesmo a imprensa leva a sério o time daqui. Vamos ver se pelo menos o Brasil chega na final e pegue uma seleção forte na mesma para termos um bom jogo. O Brasil ja esta no lado “mais facil” da chave, logo, é bem possivel. Enquanto isso, meu Inter segue firme e forte na Libertadores (certo, nem tanto), mas agora faltam apenas 4 jogos para nos sagrarmos bicampeões da América!

Caso o Brasil va para o final da Copa, eu assistirei-a em Vichy, pois estarei visitando minha familia entre os dias 10 e 13 de julho. Ficarei na mesma casa que fiquei no verão passado, a convite dos meus pais franceses, antes de passar o 14 de julho (feriado da Revolução Francesa) em Paris, acompanhando os desfiles e os fogos de artificio. No dia 15 de julho, vou para o aeroporto Charles de Gaulle, onde pego meu voo para o Brasil. Devo chegar em Porto Alegre por volta do meio dia, no dia 16, depois da escala no Rio.

Vou tentar postar com mais frequência no blog, agora que as aulas acabaram. Até a proxima!





Frases que provavelmente você não vai ouvir de um francês

11 06 2010

Esse artigo foi copiado de um blog que o Yuri achou na Internet. Segue a fonte : http://portedoree.blogspot.com/2009/11/top-10-frases-que-provavelmente-voce.html

Dei uma editada livre sobre o que eu não concordava, mas na essência o texto é excelente ! Parabéns à autora ! Seguem, abaixo, dez frases que raramente se escutara de um(a) francês(esa) :

10- “Esse ano vamos passar as férias em Paris”
Nas férias, a maior prioridade dos franceses é se afastar o maximo possivel de Paris, sempre em direçao ao sul. Nem que isso custe dezenas de horas em engarrafamentos interminaveis e que uma vez que cheguem no eldorado da Côte d’Azur, tenha-se que disputar um espacinho de areia da praia. Tudo menos Paris. A unica possibilidade de um francês desperdiçar suas férias na capital é se ele mora la e um impedimento extremamente grave nao o deixa seguir o fluxo migratorio em direçao ao sul, como a crise econômica, por exemplo.

9- “Ops, acho que coloquei muita manteiga”
Aprenda: na França, manteiga nunca é demais. Nunca vi povo pra gostar tanto de manteiga, e atençao, nao estou falando que margarina, praticamente em extinçao por aqui. Eles nao passam uma fina camada no pao, ele colocam um pedaço mesmo. E pra cozinhar, usam mais manteiga do que oléo, em porçoes bem generosas. Pra se ter uma idéia, os franceses sao os maiores consumidores de manteiga do mundo, com 8kg consumidos por ano, por cada habitante.

8- “Adoro o sotaque de Quebec”
Se um francês disser isso, ou tem algum canadense por perto, ou ele é muito exotico. Os franceses tiram o maior sarro do sotaque dos seus primos do Quebec, mas sempre quando nao tem nenhum deles à proximidade. Quando passa algum programa canadense na televisao, eles até colocam uma legenda, pois às vezes é dificil entender. Acho que é mais ou menos a mesma relaçao que temos com o português de Portugal.

7- “Hum, como os ingleses cozinham bem!”
O climax supremo da rivalidade entre os franceses e os ingleses é a critica à cozinha britânica. O fish and chips é tao ridicularizado por aqui, que da até peninha dos ingleses. Poxa, ele nao têm terras férteis, nunca tiveram uma tradiçao gastronomica por causa disso. Os franceses dizem que seus vizinhos so sabem comer batata e os ingleses se vingam os chamando de froggy (comedores de ra). Apesar de que aqui no Norte, a batata é presente em quase todos os pratos, acho que por influência belga.

6- “Vão desrespeitar nossos direitos trabalhistas, vamos ter que nos conformar”
Ponham uma coisa na cabeça: os franceses nunca se conformam quando o assunto sao direitos trabalhistas e sociais. Jamais. Eles sempre encontram um jeito de mostrar sua indignaçao e tentar reverter o caso. O método mais mais usado, é a greve. Simples e eficaz. Mas às vezes, quando a situaçao pede, eles encontram formas inovadoras de contestaçao. Uma das mais extremas é o sequestro dos donos e presidentes das empresas. Eles mantêm o cara preso até conseguirem o que querem e o mais incrivel é que os “reféns” nunca querem dar continuidade à acusaçao do crime de sequestro, com medo de arranjarem mais confusao.

5- “Meu sonho é morar no norte da França”

A nao ser que o francês tenha nascido no norte da França, ele jamais vai querer viver la por toda sua vida. A razao principal é o clima, que é terrivel por essas bandas, um frio permanente quase sempre acompanhado de chuva, o que da uma atmosfera bem triste. No filme Bienvenu chez les ch’tis o chefe diz pro funcionario que tem uma péssima noticia: ele vai ser transferido para um lugar horrivel. O cara diz “Naaaao! Paris?” e o chefe responde “Pior, o norte”.

4- “Detesto os imigrantes”

Certamente nao sao todos os franceses que amam os imigrantes e lutam pelos seus direitos na França, mas duvido que você encontre alguém que diga abertamente que nao gosta de imigrantes, a nao ser que a pessoa esteja certa de estar entre iguais. Ser taxado de preconceituoso e racista na França é o pior xingamento que alguém pode sofrer. Entao mesmo os reacionarios fazem esforço para manter a boca fechada, ao contrario de muitos brasileiros que cegos à sua propria incoerência, criticam a presença de imigrantes sem perceber que, ops, eles fazem parte desse grupo.

3- “Bebi vinho até cair!”

Para os franceses, vinho nada mais é que uma bebida para acompanhar a comida. A nao ser que a pessoa seja um adolescente ou um alcoolatra, ela nao vai encher a cara de vinho. Existem outras bebidas que cumprem esse papel, como a cerveja, a vodka, a tequila… Vinho nao.

2- “Nao me interesso por politica”
Nao importa se você esta na igreja, numa festa, num enterro: é inevitavel que o rumo da conversa pegue um atalho para a politica. Todo mundo tem uma opiniao sobre o cenario politico do pais, é impressionante. O problema é que às vezes as conversas civilizadas descambam para um inicio de discursao, mas a polidez francesa logo se impoe e rapidamente as pessoas procuram algo para concordar, como a cozinha inglesa, por exemplo.

1- “Meu avô foi um colaboracionista”
E dai que as estatisticas dizem que cerca de 20% dos franceses colaboravam com a Alemanha nazista? Você simplesmente nao vai encontrar ninguém. Todas as historias familiares sobre a segunda guerra que ouvi até hoje estao repletas de atos heroicos como esconder judeus em casa, lutar frente a frente com os nazistas, traficar informaçoes pelas costas dos alemaes, mas nunca uma em que se assumia uma simpatia com os invasores. Dizem que 20% dos franceses eram colaboracionistas, 20% eram resistentes e 60% nao queriam se meter na historia. Acho que a guerra ainda é um passado doloroso demais para se assumir os erros. Ninguém quer ser o vilao da historia, mesmo se na época significou sua propria sobrevivência.





Praga

9 06 2010

Finalmente, hora de concluir a série sobre a viagem ao Centro-Leste europeu : Praga, capital da Republica Tcheca. A historia da visita à Praga ja começa com o modo pelo qual chegamos na cidade : para não pagar 30€ a mais precisando ir de trem durante o dia (uma viagem de 6 horas), pegamos um ônibus noturno da Eurolines que saia de Budapeste às 10 da noite e chegava em Praga quase as 6 da manhã do dia seguinte. Foi uma viagem estranha : por sorte eu e a Thais conseguimos bons lugares na frente, mas o resto do pessoal teve que dormir separados em cantos diversos do ônibus. Por exemplo, o Joia achou um senhor que dormiu gentilmente sobre seu ombro! Algumas pessoas daquele ônibus eram também nada conservadoras, como por exemplo uns cidadãos que pareciam barbaros visigodos no século XXI.

Bem, eis que chegamos em Praga ja apos o nascer do Sol, por volta de 5h40. Primeiro problema : o hotel so abria às 9h. O que fazer em Praga com as mochilas e mala até as 9 da manha ? Esperar na estação, dormindo, tomando café, jogando alguma coisa, conversando, etc. Finalmente quando fomos para o hotel descobrimos que ainda não poderiamos ir para os quartos porque o check-in so era feito depois das 14h. Pelo menos, podiamos deixar as coisas no local e dar uma volta na cidade.

Caminhamos pelo centro de Praga, passando pela Casa Dançante (que na verdade não tem nada de mais e é um prédio de negocios). No centro de Praga encontramos uma feira turistica bem interessante onde conseguimos matar um certo tempo. Apos, fomos almoçar em um restaurante entre o centro e o albergue… furada. Precisavamos nos acostumar com a moeda local e perdemos uma boa grana para um almoço horrivel. Na Republica Tcheca, a moeda local é a Coroa tcheca, que em relação ao euro seria algo em torno de 25 CZK para cada euro. O almoço incluia pagamento ao pão de entrada (40 CZK) e ainda 15% de serviço. Resultado : 400 CZK ou 16€ por um almoço sem nada de especial.

Finalmente chegamos no albergue, e fomos para o quarto com o objetivo de apenas dar uma descansada. Dormimos até às 17h, tamanho o cansaço. Voltamos para o centro da cidade agora com um pouco mais de fôlego. Passamos por um festival bem interessante de cultura tcheca (gravei um video da dança deles, um dia coloco num YouTube da vida). Subimos também na torre do relogio onde foi possivel ter uma bela vista da cidade. Mais tarde, a janta foi muito sagaz! Eu, Bruna, Tati e Thais fomos na U Fleku, cervejaria mais antiga da Europa Central em funcionamento segundo meu guia de viagem, fundada em 1499 (o Brasil foi descoberto em 1500).

No dia seguinte, a tarefa era explorar o Castelo de Praga, que assim como o de Budapeste, é um complexo de construções e atrações. Começamos o dia pelo café da manha no pequeno kebab no subsolo do hotel. A mulher do café não falava inglês. Por meio de uma comunicação praticamente em gestos, conseguimos nosso café da manha (não foram exatamente os pratos que pedimos, mas tudo bem). Fomos então para o castelo : chegando la, apos uma escadaria de uns 200 degraus, vimos que havia uma manifestação religiosa la. Aparentemente alguém importante da Igreja estava la, porém os cartazes em tcheco não ajudavam a decifrar quem era.

Compramos nossos tickets de passeio, o que nos dava direito à sete construções do complexo. Começamos pela galeria do Castelo, um pequeno museu com obras de arte de artistas tchecos. Em seugida, fomos para o palacio real, uma grande construção que guarda algumas reliquias importantes para os tchecos. Em seguida, passamos no museu com a historia de Praga. Visitamos ainda a basilica do Castelo e o convento, que foi transformado em um grande museu de arte também.

Almoçamos em um restaurante no complexo, caro e cujos pratos não matavam a fome. Enfim, seguimos pela Rua de Ouro, uma rua com casas minusculas transformadas em lojas de turismo. Seguimos por fim para a Torre de Polvora, uma especie de amostra de armamentos de guerra, bem interessante. Apos estas visitas, descemos para a cidade, passando pela Ponte Carlos IV, uma bela ponte sobre o rio Moldava. Ainda foi possivel jantar num restaurante muito bom (o melhor da viagem com certeza), localizado perto do hotel. O restaurante, que se chama “Louvre”, era barato, suficientemente chique e servia pratos muito bons. Detalhe : naquele restaurante, alguns clientes razoavelmente célebres haviam passado por ali, gente como, por exemplo, Albert Einstein.

No dia seguinte, fizemos a maratona de retorno à Lille. Saimos do hotel de manha, bem cedo, para o aeroporto, com uma carona do dono do hotel. De Praga, voltamos para o aeroporto de Charleroi, na Bélgica. Pegamos na navette então que nos deixaria na estação de trem, de onde poderiamos pegar o trem para Lille. Nesta altura, o grupo ja havia se dispersado completamente : Yuri ficara em Budapeste, de onde iria para Milão e depois para o Brasil ; Tati pegara o avião para a Italia, onde passaria a segunda semana de suas férias ; Joaquim e Alessandra seguiram de Praga para Cracovia, onde continuariam sua viagem. Assim, retornaram à Lille apenas eu, Thais, Bruna e Joia.

A segunda semana das minhas férias ficou então praticamente restrita ao meu relatorio de estagio, que eu precisei entregar no final de abril. Em maio, fiz ainda a soutenance de estagio, que é a apresentação frente ao grupo das atividades que foram feitas durante as quatro semanas de trabalho.
Agora, estou apenas uma postagem atrasado em relação ao normal, sobre a viagem que fiz ha um mês aos castelos do vale do Loire. Até la!