Calmaria… ou não

23 03 2010

Interrompendo a série de postagens sobre a viagem de inverno (alias, eu não termino essa série antes de começar mais uma viagem… lamentavel) para dar uma atualizada de como anda a vida por aqui. Estou numa semana razoavelmente tranquila de aula, a mais leve desde que começou o semestre, em fevereiro. Essa semana antecede a ultima semana de aulas antes das férias de primavera, que vão de 3 à 18 de abril. Nessas férias, viajarei na primeira semana para o centro-leste europeu, mais especificamente Praga, Budapeste e Viena (Rep. Tcheca, Hungria e Austria).

Por aqui, eu cada vez chego mais a conclusão de que franceses enrolam demais. Me explico: ja devo ter falado do Projeto de 2 anos aqui, que em teoria é muito interessante e deveria ser bastante importante pra nos… então, estamos com mais de 6 meses de projeto, e até agora nada pratico feito. Apenas relatorios, e diagramas, e apresentações, e anfiteatros de projeto que eu nem vou mais, de tão inuteis que são. Lembro de uma citação do Yuri esses dias, quando ele observou uns engenheiros na rua conversando… “certo que esses caras estavam discutindo algo que não levara a lugar nenhum”… este é o modo francês de trabalhar, e a principio não deveria ser questionado.

Na école, temos agora as campanhas do BDX, que são espécies de Grêmios Estudantis de Artes, Alunos e Esportes. A campanha do BdA (Bureau des Arts) ja terminou, e agora estamos em campanha de BdE (Bureau des Eleves), da qual participam por uma chapa a Tati e a Thais. A campanha acaba sendo uma das coisas mais legais nesta école, pois quase todo dia temos lanches de graça, jantas e almoços por preços irrisorios, ja tive café da manha de graça na porta da minha casa, jogo de laser game gratuito, entre outras mordomias, tudo promovido pelas listas para angariar votos.

Por outro lado, temos as aulas. Anfiteatros me desanimam, e desanimam também boa parte dos franceses. Um anfiteatro às 8 da manhã raramente excede 50% de presença, enquanto os anfiteatros apos o almoço costumam ter uma platéia mais concentrada na sestia do que na aula em si. Os TDs, que deveriam ser a aula do modo como estamos acostumados mas não são, variam em questão de suportabilidade: eu não falto pois eles contam presença; porém, alguns são lastimaveis… como os professores nunca são os mesmos, é sempre uma loteria saber se o TD sera bom ou não.

Finalmente, temos os TPs… esses o fator loteria é maior ainda. O aluno é obrigado a ir. Isso ja aumenta o grau de suspense em relação ao TP (TPs são como aulas em laboratorio). Alguns, como o de Fabricação Mecânica, excedem as expectativas: sexta passada, fabriquei minha primeira peça num torno mecânico. Mas sempre existem TPs lamentaveis, como os de Dimensionamento de Sistemas, e ainda as maravilhosas APPs, que são aulas sem professor: o aluno, junto com seu grupo, deve esperar que o conhecimento brote do nada e espera que a prova no final seja simples.

Acaba que eu chego em casa tão desanimado em relação às aulas que tive que eu acabo não estudando nada em casa e perco meu tempo lendo noticias na Internet, jogando, assistindo séries, ouvindo musica ou meramente arrumando a casa. Por esse motivo, aquela sensação de culpa me persegue dia apos dia, como se eu sempre estivesse atrasado em relação à alguma coisa relacionada à Ecole. Se eu fico um dia sem fazer nada, não deixo de lembrar que poderia estar fazendo algo mais importante (ou não, não consigo ver como o estado atual do projeto seria importante… enfim).

Depois das férias, terei todas as manhãs das quartas livres devido ao fato de a minha eletiva acabar antes. Porém, tenho ainda um relatorio de estagio pra escrever, em francês, mais ou menos 30 paginas, cujo conteudo sera com certeza algo tão inutil quanto as apresentações de projeto que estamos fazendo. No entanto, as semanas serão bastante carregadas de aulas, e ja consigo prever a carga de matérias se acumulando no final do semestre, la pela metade de junho, quando nossas provas começam…

E quando as provas passarem, vira a semana de recuperação. Provavelmente terei que recuperar Phénomènes de Transfert, que fiquei com 7 sobre 20. Essa nota me passa, porém eu preciso tirar no minimo 13 numa outra matéria do mesmo bloco, o que é bem complicado. Outra nota que saiu foi Génie Eléctrique: 11,5 sobre 20. Depois da semana de recuperação, fico ainda uma semana na França, provavelmente em Vichy e em Paris. No dia 15 de julho, pela noite, estou embarcando pro Brasil, e fico la até dia 9 de agosto. E tera passado então quase 14 meses desde que sai do Brasil pela primeira vez.





Mont Saint-Michel e La Rochelle

18 03 2010

Continuando os relatos da viagem de inverno. Em Nantes, na segunda, alugamos um carro para fazer duas viagens interessantes: Mont Saint Michel e La Rochelle. A ideia era ir um dia em cada um dos locais, que ficam em torno de 2 horas de carro de Nantes, valendo a pena retornar pra Nantes para passar a noite da segunda pra terça. Partimos de Nantes na segunda eu, Tati, Igor, Ricardo e Thiago rumo ao norte por volta das 10 da manhã. Comigo de co-piloto, nenhum problema grave aconteceu! =D Começamos a se aproximar da ilhota por volta das 13h, depois de uma parada para um lanche.

O Mont Saint-Michel é uma ilha localizada entre a Normandia e a Bretanha, acessivel apenas por uma faixa estreita de terra, que fica parcialmente coberta de agua durante a maré alta. No dia em que visitamos o monte, a maré alta so viria às 20h, horario no qual estariamos ja na estrada. Assim, perdemos essa parte, mas ainda assim a exploração do monte foi interessante.

Logo na entrada, tu te sentes numa vila medieval. Ruas estreitas e casebres apertados que abrigam lojas de quinquilharias de todo o tipo circundam a base da ilha. Ali é possivel comprar de tudo, desde réplicas da Tavola Redonda até o Um Anel de Sauron.

A abadia dos monges se encontra no topo, e é preciso subir infinitas escadarias até la. Chegamos la bem em tempo de se infiltrar numa visita guiada, que era gratuita, felizmente. Foi uma das melhores visitas guiadas que ja vi. O cara que apresentava parecia um misto de monge e mendigo, mas conhecia incrivelmente bem a historia do lugar. Visitamos os patios privados da abadia, ouvimos as historias de como os monges sobreviviam, do papel do Mont Saint Michel ao longo da historia, etc… bastante didatico.

Retornamos do Mont por volta das 18h, rumo a Nantes para dormir e no dia seguinte rumar ao Sul, em direção de La Rochelle. Nesta viagem, o Thiago foi substituido pela Ju. E la fomos nos rumo à cidade que eu chamaria de ‘Mônaco’ do Atlântico! A gente também teve sorte… apesar de fazer -5 pela manhã, um sol muito bonito apareceu de tarde, o que possibilitou um passeio bem agradavel pela cidade.

La Rochelle é uma praia da costa atlântica da França, que possui um belo cais onde ficam estacionados varios iates e lanchas. No entanto, a aparência da cidade é bem antiga, notavelmente pelas suas três torres que faziam parte da muralha que circundava a cidade. As torres são a Torre da Lanterna, Torre da Corrente e Torre St. Nicolas.

Visitar as torres significou subir mais e mais escadas ainda (essa foi a viagem de subir escadas, aguardem pelo Vaticano). A primeira torre foi a Torre da Lanterna, que é a mais alta, eu acho. Do topo dela, era possivel ter uma vista bem legal do Atlântico e da cidade. Essa torre era o antigo farol da cidade. Andando ao longo da muralha se chega à torre da corrente, que é a menor das três. Essa foi a menos interessante, eles montaram uma espécie de museu na torre, logo, não tinha nada interessante como prisões e salas antigas pra ver. Finalmente, a torre St. Nicolas, que guarda a entrada do ancoradouro, foi pra mim a mais interessante. Pra começar, essa torre é torta, o que é perfeitamente perceptivel de dentro da torre. Essa torre junto com a da corrente servia pra proteger a entrada de navios inimigos na baia, com o auxilio de uma imensa corrente ligando as duas torres.

Voltamos de La Rochelle no final da tarde, apos dar uma caminhada no centro da cidade, que é bem bonito também. Devolvemos o carro na locadora e começamos a nos preparar para a segunda parte da viagem: Italia!





Nantes

12 03 2010

Finalmente cheguei à viagem das férias de inverno. As férias de inverno vieram logo em seguida ao estagio, começando no dia 13 de fevereiro e indo até o dia 21. Minha ideia a principio era fazer uma viagem curta pra dar uma descansada alguns dias em casa. Porém, apos varias propostas e nada das viagens serem garantidas, e o fato de que as férias de Lille não estavam batendo com as férias de outras écoles, acabei decidindo por uma viagem bem mais longa que o esperado.

Acabei acertando de me juntar a Tati e ao Igor (namorado dela, que esta em Nantes) e, partindo de Nantes, alugar um carro para ir até o Mont Saint-Michel e La Rochelle (junto com Ricardo, Thiago e Ju) e depois ir de avião até Roma (com o Roger, a Bruna e o Thiago, e pra encontrar ainda depois o Jeferson, o Joia, o Liba e a Thais). Por fim, uma passada por Pisa para conferir a torre e voltar para Paris. Excelente roteiro!

Parti para Nantes no domingo, às 9 da manhã. O trem so chegou la pelas 14h, apos fazer um trajeto bizarro que passava pelos aeroportos Charles de Gaulle e Orly. Chegando la, encontrei a Tati e o Igor, e fomos até a residência onde o Igor mora, que é do lado da Centrale Nantes. Deixamos as bagagens la e nos juntamos ao Flavio e sua namorada para procurar algo para almoçar no centro.

Segundo os locais, aquele era um dia raro em Nantes: o tempo estava bem bonito, um sol agradavel para uma temperatura perto dos zero graus (pela manha, fizera -7). Fizemos uma caminhada pelo centro e pela Île de Nantes, que fica no Rio Loire, maior rio da França. Como Nantes fica perto do litoral, não deixa de ter os ventos fortes caracteristicos que baixam a sensação térmica la embaixo.

Passei pelo Elefante de Nantes, do qual nunca havia ouvido falar mas que faz um certo sucesso naquelas bandas. O Elefante, que é uma das maquinas da ilha de Nantes, costuma jogar agua nas pessoas durante o verão: felizmente, essa opção estava desligada aquele dia. E possivel fazer o passeio no elefante e ter uma vista legal da cidade, mas não parecia algo muito sagaz, uma vez que a maquina andava a uns 2 km/h.

Continuamos indo até o Castelo do Duque da Bretanha, um castelo encrustado no meio da cidade com direito a fosso e tudo o mais. Não pesquisei a historia do castelo, mas parece que era o castelo mais importante da Bretanha enquanto Nantes fazia parte da Bretanha… hoje, Nantes esta no Pays de la Loire, que fica logo ao sul da Bretanha.

O dia terminou no cinema no centro de Nantes, onde encontrei os demais brasileiros que estão na Centrale de la: Ju, Patricia, Thiago e Adrian. Assistimos o filme “In the air”, que nem era tão interessante assim. E a ultima vez que eu tinha ido à um cinema foi pra ver Cruzada, no longinquo 2005. Em seguida, voltamos para a Ecole, no não tão rapido tram de Nantes: os bondes se movem muito devagar, e as linhas possuem muitas paradas.

Fiquei hospedado na casa do Vladimir, um russo que foi meu colega no Cavilam, em Vichy. O Vladimir é uma baita figura, ja esta praticamente convertido a brasileiro, e é preciso cuidar com o que se diz em português perto dele, porque ele entende! Bom, para a proxima postagem, ficam nossas viagens de carro, que foram para Mont Saint Michel e La Rochelle. Ah, e as fotos que eu estava devendo ja estão no Picasa, para acessar é so ir como sempre no menu Fotos. Bom, até a proxima!





Berna e Retorno do Natal

6 03 2010

Caramba, eu estou extremamente atrasado com as postagens do blog. O post de hoje conta um pouco de uma cidade que visitei ha mais de dois meses: Berna, capital da Suiça. Vamos recapitular um pouco aquela viagem:

Estavamos eu, Luciano e Micael (ambos de Paris) e ainda Proença e Bruna (ambos de Marseille) terminando nossa viagem de final de ano de 11 dias. Ja haviamos explorado a Alemanha de Oeste à Leste e estavamos atravessando as inospitas terras suiças! Dia 31 de dezembro, ainda pela manha, chegamos à Berna vindos de Lucerna. Berna é uma cidade grande para padrões suiços: incriveis 130000 habitantes. Em Berna, tivemos sorte em relação ao clima, que estava “bom” assim como em Lucerna. A chuva se dispersara e o sol aparecia, com a temperatura se mantendo acima dos 0.

Chegando na cidade, a rotina de sempre: ir para o albergue largar as coisas e então explorar a cidade. Mas eis que vem um problema: Proença esquece seu sobretudo e uma sacola no trem que vinha de Lucerna. E o pior: o trem não terminava em Berna, ele seguia rumo à Genebra. Voltamos à gare, agora por volta do meio dia, e enquanto o Proença encontrava maneiras de poder recuperar seu manteau, nos iamos procurar algo pra almoçar. Compramos um frango simples mesmo ali na gare, mas que não nos dava o direito de usar as mesas para comer. Fomos expulsos do lugar la por um tio à paisana cuja função parecia ser inspecionar as mesas. Lamentavel.

Agora sim, almoçados, vamos explorar Berna! Vamos nos localizar geograficamente: Berna fica ao lado de um meandro do Aare, um belo rio que proporciona belas paisagens. A cidade consiste basicamente a ficar andando de uma margem à outra do rio passando pelos principais pontos. Começamos pela sede do governo suiço, no sul da cidade. Logo apos, pontos interessantes como a praça do Cassino e a Munsterplatz. De la, uma passada na torre do relogio, que segundo o guia Michelin, apresenta a cada hora um espetaculo de marionetes muito curioso. Chegamos com alguma expectativa, as pessoas em volta do relogio esperando… o tal “espetaculo” não passava de alguns movimentos toscos de uns bonecos que saiam da torre… bem pequenos por sinal.

Continuando, passamos pela Einsteinhaus, casa onde Albert Einstein morou durante sete anos em Berna e na qual ele desenvolveu a teoria da Relatividade. Atravessando a Junkerngasse, uma curiosa rua com varias fontes com belas esculturas, chegamos no “vértice” do rio, onde encontramos a Bärengraben, uma coisa curiosa e inesperada: na encosta do rio, foi construida uma estrutura que abriga dois ursos (um deles apelidado carinhosamente por nos de Leopoldo). Os ursos ficam ali bem perto do publico, provavelmente entediados com a atenção que atraem.

Perto do fim da tarde, pegamos uma seção de apresentação em 3D da historia da cidade, que custou apenas 1 franco (finalmente uma coisa barata neste pais). Pra terminar um dia, um Starbucks classico e ida pro albergue se ajeitar pois era noite de Ano Novo. No albergue, encontramos uma outra atendente, uma garota estranha que falava alemão, suiço-alemão, espanhol, inglês, francês e arriscava um italiano. A poliglota deu dicas pra gente de onde ir para o Ano Novo. Acabamos num bar, por volta das 22h (que estava vazio). Fomos pelas 23h30 pra praça da Catedral, onde uma certa multidão (tinha bastante gente mesmo, para uma cidade pequena como Berna) esperava a virada… Fünf, vier, drei, zwei, eins… Feliz 2010!

Dia 1° tinhamos varias viagens a fazer. Voltamos para a gare para almoçar no McDonalds, e poder finalmente sentar nas malditas mesas na estação. Perto das 13h, chegava a hora de se separar. Eu, Luciano e Micael rumariamos para o Norte, enquanto Proença e Bruna retornava para a costa ensolarada do Sul. La vão eles para Genebra, enquanto nos três iamos para Basileia, esperar o trem que ia à Paris. Ainda deu tempo de tirar umas fotos na praça em frente à estação de Basel.

Finalmente estavamos de volta à França. Chegamos em Paris, agora o Luciano e o Micael iam para casa, a distante Chatenay-Malabry, enquanto eu devia esperar o trem que me traria de volta chez les ch’tis. Quase 22h, chego finalmente à Lille Flandres. Estou em casa. Não posso deixar de destacar a ajuda do Thiago, que foi com a Clarice me buscar na estação de carro àquela hora!