Berlim

16 01 2010

Saimos de Colônia na manha do dia 24, que foi provavelmente o dia mais frio da viagem. A viagem para Berlim durava cerca de 4 horas, ja que infelizmente trens a alta velocidade na Alemanha param a cada cidade mais ou menos importante no meio do caminho. Enfim, nos estavamos em um ponto que viajar de trem nao era tao mal assim, afinal, significava tempo para dormir! De qualquer maneira, chegamos em Berlim por volta das 13h20. A primeira decisão do dia acabou se mostrando uma decisão bem errada: não aproveitar que a gare estava ali (alias, Berlin Hauptbahnhof, maior estação de trens da Europa), com seus infinitos restaurantes para almoçar, e ir até o albergue largar as mochilas. Ai apareceu a primeira piada que nos perseguiria pelo resto da viagem: “O albergue fica a so 700 metros” – diz Bruno. Por algum motivo que eu ainda não sei, eu deduzi que a distância até o albergue era apenas 700 metros de caminhada. O Google Maps me clarifica agora que a distância era na verdade 2 km.

Enfim, caminhamos tudo isso na fria Berlim com as mochilas para finalmente chegar no albergue, que se mostrou o melhor da viagem em relação custo/beneficio: quarto bom e espaçoso, area comum bem agradavel, pessoal da recepção prestativo. Mas a essa altura ja era duas da tarde e não tinhamos almoçado. Segundo erro: procurar algo para comer na Unter den Linden, uma rua importante de Berlim (algo como a Champs Elysées para Paris). Tudo fechado, devido a véspera de Natal. Acabamos voltando para a estação e almoçando la, passando das 15h. Ao voltar pra cidade, a noite ja se aproximava, junto com uma neblina cavalar. Ainda assim, passamos nos principais pontos no entorno da gare: Reichstag (parlamento alemão, uma mansão muito bonita) e o Brandenburg Tor (portão da cidade, muito legal também). Por aqui ja era algo em torno de 17h, e a escuridão e o frio chegavam.

Aproveitamos para passar numa loja de souvenirs de Berlim para comprar os presentes do amigo secreto que fizemos (idéia sagaz). Logo mais tarde, seria ainda feito um bolão do amigo secreto, onde cada um deveria tentar adivinhar os amigos secretos dos outros. Bom, presentes comprados, fomos para o Gendarmenmarkt, um mercado de Natal proximos às catedrais alemã e francesa, num bairro muito bonito de Berlim, o Mitte. Em seguida, passamos no famoso Checkpoint Charlie, que era um dos possiveis acessos entre Berlim americana e Berlim Soviética apos a segunda guerra mundial. Seguimos o muro de Berlim em direçao ao oeste, rumo à Postdamer Platz – terceiro erro. Pensavamos que ia ter algum movimento ali, mas tudo estava deserto. Restou ir até a Alexander Platz, do outro lado da cidade (de metrô, desta vez), para procurar algo que servisse de ceia de Natal. Agora era algo em torno de 20h ja, e ainda não sabiamos onde comer.

Felizmente, para compensar todos os erros, eu e o Proença achamos um excelente restaurante de grelhados espanhol por volta das 21h, quando nossas esperanças ja se esgotavam. Esse restaurante acabou se mostrando uma excelente escolha, havia carne de verdade! Por volta da meia noite, bem alimentados, voltamos para o albergue, com o dia seguinte mais ou menos planejado.

Dia 25 foi provavelmente o dia mais engraçado da viagem. A segunda piada que nos perseguiria pelo resto da viagem foi uma excelente frase solta pela Bruna totalmente fora de contexto: “ So porque é parecido, é completamente diferente”. Isso acabou desencadeando um combo de piadas pelo resto do dia: “Sua vaca!” by Proença. “Não, a gente não fala inglês” by Luciano (essa fazendo referência as tias que pedem dinheiro em 464 linguas diferentes). “Você tentando colocar essa manta parece um cavalo procurando o freio” by Micael. “Quem é essa guria que esta seguindo a gente desde Heidelberg?” by Bruno. Bom, a Bruna deve ter ficado traumatizada aquele dia!

No dia de Natal, compramos um ticket de trem pelo dia todo, para podermos ir a locais mais afastados. Começamos pela Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, ruinas de uma igreja destruida na segunda guerra. Apos, fomos para o Sony Center, uma construçao moderna ao lado do prédio da Sony proximo à Postdamerplatz. Em seguida, seguimos rumo ao norte, seguindo o muro, até o memorial às vitimas do Holocausto, monumento interessante, composto de 2 711 blocos de concreto idênticos em largura em comprimento, mas cuja altura varia, o que da um efeito interessante… bom, não teve como não brincar de labirinto nas vielas escorregadias entre os blocos!

Visitamos ainda ali perto o Memorial Soviético da segunda guerra, que relembra a ocupação soviética em Berlim. Depois, fomos para o outro lado da cidade, na East Side Gallery, para ver a maior porção do que sobrou do muro de Berlim. Infelizmente, na minha opinião, o muro estava repleto de grafites, alguns interessantes, outros nem tanto. Tentaram transformar um resquicio historico em galeria de arte… bem, caminhamos ali e voltamos agora em direção a Alexanderplatz, passando pela Berlin Tower (a subida era muito cara, logo não fomos), depois visitando a Berliner Dom (catedral) e passando pela Ilha dos Museus.

Em seguida, largamos o Micael numa feira de Natal, para que ele comprasse seu presente de amigo secreto (so faltava ele). A essa altura, a noite ja assolava a capital alemã novamente (e era recém 16h15). Não lembro o que fizemos depois, acho que fomos para um Starbucks… acho que voltamos cedo para o albergue aquele dia, ja que no dia seguinte eramos obrigados a acordar cedo. No albergue, fizemos a distribuição de presentes do amigo secreto. Proença tirou Luciano, que tirou o Micael, que por sua vez tirou a Bruna, que tirou a mim. Finalmente, eu tirei o Proença. O ganhador do bolão viria a ser o Luciano, que acertou 3 combinações e levou a incrivel bolada de 4€ (gasta com Coca Cola e chips). Quase saiu um bolão de quem ganharia o bolão.

No dia seguinte, acordamos cedo pois a idéia era visitar o campo de concentração de Oranienburg (Sachsenhausen). Chegamos la por volta das 10h, uma vez que o campo se localizava a 30 km ao norte de Berlim, e foi necessario pegar um trem até la. Visitamos primeiro um museu que contava a historia do campo e do memorial. Em seguida, fomos ver o que era mais interessante, o campo de concentração em si.

Visitamos alguns barracões onde dormiam os prisioneiros, “alunos” segundo os alemães da época. Da pra ver que bastante coisa foi modificada, acho que para deixar o memorial menos “tenebroso”. Mas algumas crueldades que aconteciam ali ficam subentendidas quando se visita as enfermarias e os fornos. Era possivel também ver as prisões, as valas de execução… achei interessante um “trabalho” que era feito pelos judeus ali: alguns eram forçados a fabricar libras falsas (a moeda da Inglaterra, moeda mais forte do mundo na época). Estima-se que durante a segunda guerra, 13% das libras em circulação eram forjadas.

Por volta das 14h, retornamos à estação, para pegar o trem que ia para Munique às 15h50. Assim acabava nossa visita à Berlim, que com certeza foi a cidade que mais valeu a pena visitar em termos historicos. Bom, por hoje é so! As fotos ja estão no Picasa, pra quem se interessar. Abraços!

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One response

18 01 2010
Arthur

Bem legal, como sempre. Não sabia dessa das libras forjadas pelos Judeus, BEM engenhoso, sem dúvida!

Fiquei com vontade de ir pra lá agora hauhaua, droga, sempre que leio o Blog me dá essa vontade de viajar pra Europa xD

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