Tratamento VIP na França e no Brasil

26 07 2010

Ja estou digitando do Brasil, enquanto minha mãe cozinha um delicioso feijão para o almoço. Ja estou em terras gauchas ha 10 dias, e so agora venho atualizar este humilde blog. Os ultimos dias na França antes do retorno ao Brasil foram muito sagazes! A começar pela estadia em Vichy : fiquei três dias com a mesma familia que me acolheu ano passado, de graça ! A familia e a casa continuam as mesmas. Cheguei em Vichy no dia 10 e meus “pais franceses” estavam me esperando na estação, para que fossemos até em casa, onde colocamos as conversas em dia. No dia seguinte, almoço de familia com os pais da minha mère, com direito a jogo de pôquer vencido por mim!

Para não perder o costume, fomos ao bar apostar na corrida de cavalos da tarde… perdemos os três, eu, o père e seu sogro… No domingo ainda, encontrei o pessoal brasileiro de Vichy num bar perto da gare, onde assistimos à final da Copa do Mundo, entre Espanha e Holanda. Jogo violento e meio sem graça, mas que acabou com vitoria merecida da Espanha. Pelo menos o pessoal pareceu ser bacana, estão se adaptando bem com Vichy e com a França em geral.

Na segunda, fomos eu e mais cinco brasileiros almoçar na Cafeteria de Paris, um restaurante em Vichy que iamos com frequência quando o almoço no CAVILAM não estava la essas coisas. Voltei para casa apos o almoço (e a chuvarada, que começou a me perseguir aqui), onde descansei à tarde e reencontrei a familia de noite, para uma janta sagaz e um jogo de Uno desta vez, vencido por mim de novo!

Terça foi o dia de se despedir de Vichy. Fui para Paris, passando na Ecole Centrale para trocar a mala. As 18h, tinhamos o jantar com a professora Catsiapis. Fomos eu, o Jéferson, e dois chineses que se anexaram de ultima hora. O jantar foi na Closerie de Lilas, um restaurante no 6eme arrondisement que ja foi visitado por Ronaldo, Joseph Blatter, principes e princesas de Luxemburgo, Bélgica, etc., Roger Waters, entre outras figuras que eu não conheço. A bagatela de aproximadamente 60€ por pessoa foi paga por nossa simpatica professora, que nos convidou… os pratos do restaurante eram muito bons, claro : uma entrada de melões com um tipo de presunto bem bom, seguido de um prato de batatas no forno com rumsteak, e como sobremesa, um profiterole magnifico.

Depois da janta, fui para o apartamento dos veteranos que estão estagiando em Paris. Na manhã seguinte, eu e o Christian fomos para os Champs-Elysées atrasados, para assistir o desfile militar do 14 de julho. Por chegar atrasado entende-se poder ver apenas os capacetes das pessoas que desfilam. Para completar, uma chuva assolou o desfile logo apos o seu inicio, e as pessoas trancadas na estação de metrô ficando sem saida para escapar do temporal. Quando eu e o Christian conseguimos entrar no metrô, ficamos dando voltas até a chuva parar…

No final da tarde, eu, Jéferson, Liba e Steil começamos a planejar o roteiro para os fogos de artificio na Torre Eiffel, que ocorriam às 23h. Apos passar no Starbucks e no McDonalds, caminhamos da Praça da Concorde até a casa da Julia e do Biller, perto da torre, onde encontramos ainda o Macho e sua namorada para assistirmos aos fogos mais tarde. Conseguimos um bom lugar no Champ de Mars para o espetaculo, acompanhados do pessoal da Centrale Marseille. Os fogos foram bem interessantes, mas no total foram apenas 30 minutos de show. Para voltar pra casa, um metrô entupido de gente, e a chuva voltou para atormentar e nos atrapalhar enquanto tentavamos retornar…

Meu ultimo dia de França começou com uma caminhada de Notre-Dame até os Champs-Elysées, onde fui comprando lembranças pro pessoal do Brasil. Pela tarde, fui para a Centrale Paris buscar minhas ultimas coisas com o Cassio e o Luciano, e também para aproveitar e jogar umas partidinhas de tênis. No aeroporto, nenhum problema durante o retorno… voo de Paris até o Rio com duração de 11 horas, depois uma espera de 5 horas no Rio para as ultimas duas horas até Porto Alegre.

Em Porto Alegre, ja fui esperado pela minha familia com um churrasco! Na sexta-feira, revi além dos meus pais e do meu irmão, meus avos, minha dinda e minhas primas… no sabado, festa surpresa na casa da dinda, cheia de doces e salgados que são dificeis de encontrar na França. No domingo, fiquei em casa, sendo visitado pelo tio Joaquim e pela tia Madalena…

Segunda-feira, segundo churrasco, pelos colegas da UFRGS, na casa do Japa. Churrasco que foi até as 5 da manha! Na quinta eu retornei ao futebol, apos mais de um ano sem jogar de goleiro no futebol de salão. Algumas cãibras e frangos, mas que foram reparados no sabado, apos vitoria massacrante de 11 a 4 com 100% de aproveitamento nas saidas de bola.

Na sexta fomos ainda festejar o aniversario do Tyron na sua casa, que contou com otimas lasanhas preparadas pelos anfitriões. Sabado eu almocei em um restaurante que servia churrasco no buffet (terceiro) e no domingo churrascaria para o aniversario do Vinicius (quarto churrasco). A meta são dez churrascos, logo, tenho duas semanas para mais seis assados (acho que sera dificil, mas quem sabe?)





Nomadismo na França

11 07 2010

Agora que finalment as aulas acabaram, no dia 8, apos as minhas duas recuperações (uma eu acho que fui bem, a outra… é, talvez vai ficar pra refazer a prova ano que vem), comecei um periodo nômade-sem-residência-fixa na França. No dia 8 mesmo, arrumei rapidamente minhas malas e fui para a casa do Christian, do Yuri e do Joia, lugar onde ja tenho passado um terço do meu tempo graças aos artefatos de entretenimento que la existem (Guitar Hero, Playstation 3, Wii, etc). Passei minha ultima noite em Lille la.

No dia 9, sai ao meio dia para a gare central de Lille, para pegar o TGV que ia até Paris. Chegando em Paris, com duas malas mais uma sacola de queijos fedorentos, pego o RER, trem que leva uma eternidade para chegar até a Ecole Centrale de Paris, onde eu iria passar a proxima noite. Felizmente o Cassio e o Luciano vieram me encontrar na estação do RER, para me ajudar a levar as malas para a residência. Eu havia prometido aos guris que iria à Paris para jogar tênis com eles, então la fomos nos, jogar tênis nas excelentes quadras da Centrale (não é ironia, são 564515846 vezes melhores que as quadras de Lille). Um francês se juntou a nos, então fizemos um match de duplas, eu e Cassio contra Luciano e o francês. Duplo 6-4 a nosso favor em mais ou menos uma hora e meia de jogo. Bem cansativo!

Em seguida, fomos para Paris, onde o Joia estava matando tempo para pegar seu voo para o Brasil. Chegamos num bar no 12° distrito, perto da casa onde o Jeferson, o Liba e o Steil estão morando, graças aos seus estagios na capital. Ainda estavam la alguns amigos do Joia, logo se reuniu uma cambada de brasileiros na mesa do bar. Depois, eu, Cassio e Luciano voltamos para a Ecole apos jantar num Quick (similar do McDonalds na França).

No dia 10, peguei o trem na Gare de Lyon em Paris para vir para Vichy, onde eu estou agora. Fui recebido na gare de Vichy pela minha familia que me acolheu ano passado, e que me convidou para passar uns dias aqui. Estou me sentindo em casa! Agora finalmente parece que estou tendo férias. E o fato de estar sendo bem acolhido aqui também faz diminuir a ansiedade da volta para o Brasil no final da semana que vem. Bem, fico aqui em Vichy até o dia 13, quando volto para Paris.

Ja tenho um jantar marcado em Paris com a Prof. Catsiapis, que é nossa professora de francês na Ecole e que nos ajuda bastante com o Club TIME (do qual sou presidente). Nesse jantar o Jeferson estara também (ex-tesoureiro da associação). Dia 14, estarei ainda em Paris, assistindo às comemorações do 14 de julho, feriado nacional relativo à Revolução Francesa. Neste dia, em Paris, havera um desfile militar na Champs-Elysées pela manha e uma queima de fogos de artificio de noite, provavelmente no Champ de Mars, em frente à Torre Eiffel.

No dia 15, ainda dou uma passeada em Paris antes de ir para o aeroporto Charles de Gaulle, onde pego meu voo para o Brasil às 23:30 (hora local). E bom, essa deve ser minha ultima postagem em solo francês antes da volta para o Brasil. Até breve!





Fim do primeiro ano

28 06 2010

Finalmente estou em férias ! Acabou o primeiro ano da Ecole, pelo menos as aulas: ainda preciso validar todas as matérias. Minha situação de notas não é das melhores. Ainda preciso esperar algumas notas para saber se estarei em recuperação em algumas matérias, e uma recuperação eu ja sei que terei que fazer : apesar de ter ficado com nota acima da média na disciplina, tirei abaixo da nota minima na prova, logo, preciso recupera-la. Essa prova sera no dia 6 de julho.

A ultima parte do primeiro ano, depois das férias de abril, contou com 10 semanas de aulas sem interrupção, incluindo ai 8 provas e todos os trabalhos das disciplinas que precisavam. Nesse meio tempo, fizemos a mudança do Joia, Yuri e Christian no inicio de junho e da Tati e Thais no ultimo final de semana. Ainda, fizemos em maio a visita aos Castelos do vale do Loire. Em maio, fui eleito presidente do Club Time para a gestão 2010-2011, sendo que a Cris é a tesoureira, e temos ainda um russo e uma chinesa como secretario e vice-presidente, respectivamente. Teremos como missão organizar as viagens e eventos do Club TIME para o ano que vem, incluindo a recepção dos novos G1.

Comecei a jogar tênis mais a sério aqui na Ecole graças à chegada do Kevin, colorado de Nantes que esta me ensinando fundamentos basicos do esporte. Comprei também, para desespero das minhas notas no ano que vem, um Playstation 3 e um Guitar Hero com todos os instrumentos que deve chegar pela semana que vem. \m/

A Ecole esta mais bagunçada do que nunca. Graças à reforma, da qual ja falei em alguma postagem antiga, estamos num estado de desorganização infernal. Não temos informação de nada e não sabemos as regras de nada. E acontece de tudo: apresentações de trabalhos do inicio do semestre agora no final, e o professor simplesmente não aparece na aula. Provas cujo conteudo principal é uma matéria que mal foi citada em aula. Provas de economia com 73 questões objetivas (subjetivas na verdade) extensas cuja capacidade avaliada é a de memorização. Aulas de economia onde o professor aparece sem o questionario, passando este oralmente, e também não conhece o enunciado dos exercicios. E por ai vai.

Copa do Mundo também esta rolando! Acompanhamos aqui o fiasco francês, que é motivo de chacota pelos proprios! Ninguém da a minima para a seleção nacional, nem mesmo a imprensa leva a sério o time daqui. Vamos ver se pelo menos o Brasil chega na final e pegue uma seleção forte na mesma para termos um bom jogo. O Brasil ja esta no lado “mais facil” da chave, logo, é bem possivel. Enquanto isso, meu Inter segue firme e forte na Libertadores (certo, nem tanto), mas agora faltam apenas 4 jogos para nos sagrarmos bicampeões da América!

Caso o Brasil va para o final da Copa, eu assistirei-a em Vichy, pois estarei visitando minha familia entre os dias 10 e 13 de julho. Ficarei na mesma casa que fiquei no verão passado, a convite dos meus pais franceses, antes de passar o 14 de julho (feriado da Revolução Francesa) em Paris, acompanhando os desfiles e os fogos de artificio. No dia 15 de julho, vou para o aeroporto Charles de Gaulle, onde pego meu voo para o Brasil. Devo chegar em Porto Alegre por volta do meio dia, no dia 16, depois da escala no Rio.

Vou tentar postar com mais frequência no blog, agora que as aulas acabaram. Até a proxima!





Frases que provavelmente você não vai ouvir de um francês

11 06 2010

Esse artigo foi copiado de um blog que o Yuri achou na Internet. Segue a fonte : http://portedoree.blogspot.com/2009/11/top-10-frases-que-provavelmente-voce.html

Dei uma editada livre sobre o que eu não concordava, mas na essência o texto é excelente ! Parabéns à autora ! Seguem, abaixo, dez frases que raramente se escutara de um(a) francês(esa) :

10- “Esse ano vamos passar as férias em Paris”
Nas férias, a maior prioridade dos franceses é se afastar o maximo possivel de Paris, sempre em direçao ao sul. Nem que isso custe dezenas de horas em engarrafamentos interminaveis e que uma vez que cheguem no eldorado da Côte d’Azur, tenha-se que disputar um espacinho de areia da praia. Tudo menos Paris. A unica possibilidade de um francês desperdiçar suas férias na capital é se ele mora la e um impedimento extremamente grave nao o deixa seguir o fluxo migratorio em direçao ao sul, como a crise econômica, por exemplo.

9- “Ops, acho que coloquei muita manteiga”
Aprenda: na França, manteiga nunca é demais. Nunca vi povo pra gostar tanto de manteiga, e atençao, nao estou falando que margarina, praticamente em extinçao por aqui. Eles nao passam uma fina camada no pao, ele colocam um pedaço mesmo. E pra cozinhar, usam mais manteiga do que oléo, em porçoes bem generosas. Pra se ter uma idéia, os franceses sao os maiores consumidores de manteiga do mundo, com 8kg consumidos por ano, por cada habitante.

8- “Adoro o sotaque de Quebec”
Se um francês disser isso, ou tem algum canadense por perto, ou ele é muito exotico. Os franceses tiram o maior sarro do sotaque dos seus primos do Quebec, mas sempre quando nao tem nenhum deles à proximidade. Quando passa algum programa canadense na televisao, eles até colocam uma legenda, pois às vezes é dificil entender. Acho que é mais ou menos a mesma relaçao que temos com o português de Portugal.

7- “Hum, como os ingleses cozinham bem!”
O climax supremo da rivalidade entre os franceses e os ingleses é a critica à cozinha britânica. O fish and chips é tao ridicularizado por aqui, que da até peninha dos ingleses. Poxa, ele nao têm terras férteis, nunca tiveram uma tradiçao gastronomica por causa disso. Os franceses dizem que seus vizinhos so sabem comer batata e os ingleses se vingam os chamando de froggy (comedores de ra). Apesar de que aqui no Norte, a batata é presente em quase todos os pratos, acho que por influência belga.

6- “Vão desrespeitar nossos direitos trabalhistas, vamos ter que nos conformar”
Ponham uma coisa na cabeça: os franceses nunca se conformam quando o assunto sao direitos trabalhistas e sociais. Jamais. Eles sempre encontram um jeito de mostrar sua indignaçao e tentar reverter o caso. O método mais mais usado, é a greve. Simples e eficaz. Mas às vezes, quando a situaçao pede, eles encontram formas inovadoras de contestaçao. Uma das mais extremas é o sequestro dos donos e presidentes das empresas. Eles mantêm o cara preso até conseguirem o que querem e o mais incrivel é que os “reféns” nunca querem dar continuidade à acusaçao do crime de sequestro, com medo de arranjarem mais confusao.

5- “Meu sonho é morar no norte da França”

A nao ser que o francês tenha nascido no norte da França, ele jamais vai querer viver la por toda sua vida. A razao principal é o clima, que é terrivel por essas bandas, um frio permanente quase sempre acompanhado de chuva, o que da uma atmosfera bem triste. No filme Bienvenu chez les ch’tis o chefe diz pro funcionario que tem uma péssima noticia: ele vai ser transferido para um lugar horrivel. O cara diz “Naaaao! Paris?” e o chefe responde “Pior, o norte”.

4- “Detesto os imigrantes”

Certamente nao sao todos os franceses que amam os imigrantes e lutam pelos seus direitos na França, mas duvido que você encontre alguém que diga abertamente que nao gosta de imigrantes, a nao ser que a pessoa esteja certa de estar entre iguais. Ser taxado de preconceituoso e racista na França é o pior xingamento que alguém pode sofrer. Entao mesmo os reacionarios fazem esforço para manter a boca fechada, ao contrario de muitos brasileiros que cegos à sua propria incoerência, criticam a presença de imigrantes sem perceber que, ops, eles fazem parte desse grupo.

3- “Bebi vinho até cair!”

Para os franceses, vinho nada mais é que uma bebida para acompanhar a comida. A nao ser que a pessoa seja um adolescente ou um alcoolatra, ela nao vai encher a cara de vinho. Existem outras bebidas que cumprem esse papel, como a cerveja, a vodka, a tequila… Vinho nao.

2- “Nao me interesso por politica”
Nao importa se você esta na igreja, numa festa, num enterro: é inevitavel que o rumo da conversa pegue um atalho para a politica. Todo mundo tem uma opiniao sobre o cenario politico do pais, é impressionante. O problema é que às vezes as conversas civilizadas descambam para um inicio de discursao, mas a polidez francesa logo se impoe e rapidamente as pessoas procuram algo para concordar, como a cozinha inglesa, por exemplo.

1- “Meu avô foi um colaboracionista”
E dai que as estatisticas dizem que cerca de 20% dos franceses colaboravam com a Alemanha nazista? Você simplesmente nao vai encontrar ninguém. Todas as historias familiares sobre a segunda guerra que ouvi até hoje estao repletas de atos heroicos como esconder judeus em casa, lutar frente a frente com os nazistas, traficar informaçoes pelas costas dos alemaes, mas nunca uma em que se assumia uma simpatia com os invasores. Dizem que 20% dos franceses eram colaboracionistas, 20% eram resistentes e 60% nao queriam se meter na historia. Acho que a guerra ainda é um passado doloroso demais para se assumir os erros. Ninguém quer ser o vilao da historia, mesmo se na época significou sua propria sobrevivência.





Praga

9 06 2010

Finalmente, hora de concluir a série sobre a viagem ao Centro-Leste europeu : Praga, capital da Republica Tcheca. A historia da visita à Praga ja começa com o modo pelo qual chegamos na cidade : para não pagar 30€ a mais precisando ir de trem durante o dia (uma viagem de 6 horas), pegamos um ônibus noturno da Eurolines que saia de Budapeste às 10 da noite e chegava em Praga quase as 6 da manhã do dia seguinte. Foi uma viagem estranha : por sorte eu e a Thais conseguimos bons lugares na frente, mas o resto do pessoal teve que dormir separados em cantos diversos do ônibus. Por exemplo, o Joia achou um senhor que dormiu gentilmente sobre seu ombro! Algumas pessoas daquele ônibus eram também nada conservadoras, como por exemplo uns cidadãos que pareciam barbaros visigodos no século XXI.

Bem, eis que chegamos em Praga ja apos o nascer do Sol, por volta de 5h40. Primeiro problema : o hotel so abria às 9h. O que fazer em Praga com as mochilas e mala até as 9 da manha ? Esperar na estação, dormindo, tomando café, jogando alguma coisa, conversando, etc. Finalmente quando fomos para o hotel descobrimos que ainda não poderiamos ir para os quartos porque o check-in so era feito depois das 14h. Pelo menos, podiamos deixar as coisas no local e dar uma volta na cidade.

Caminhamos pelo centro de Praga, passando pela Casa Dançante (que na verdade não tem nada de mais e é um prédio de negocios). No centro de Praga encontramos uma feira turistica bem interessante onde conseguimos matar um certo tempo. Apos, fomos almoçar em um restaurante entre o centro e o albergue… furada. Precisavamos nos acostumar com a moeda local e perdemos uma boa grana para um almoço horrivel. Na Republica Tcheca, a moeda local é a Coroa tcheca, que em relação ao euro seria algo em torno de 25 CZK para cada euro. O almoço incluia pagamento ao pão de entrada (40 CZK) e ainda 15% de serviço. Resultado : 400 CZK ou 16€ por um almoço sem nada de especial.

Finalmente chegamos no albergue, e fomos para o quarto com o objetivo de apenas dar uma descansada. Dormimos até às 17h, tamanho o cansaço. Voltamos para o centro da cidade agora com um pouco mais de fôlego. Passamos por um festival bem interessante de cultura tcheca (gravei um video da dança deles, um dia coloco num YouTube da vida). Subimos também na torre do relogio onde foi possivel ter uma bela vista da cidade. Mais tarde, a janta foi muito sagaz! Eu, Bruna, Tati e Thais fomos na U Fleku, cervejaria mais antiga da Europa Central em funcionamento segundo meu guia de viagem, fundada em 1499 (o Brasil foi descoberto em 1500).

No dia seguinte, a tarefa era explorar o Castelo de Praga, que assim como o de Budapeste, é um complexo de construções e atrações. Começamos o dia pelo café da manha no pequeno kebab no subsolo do hotel. A mulher do café não falava inglês. Por meio de uma comunicação praticamente em gestos, conseguimos nosso café da manha (não foram exatamente os pratos que pedimos, mas tudo bem). Fomos então para o castelo : chegando la, apos uma escadaria de uns 200 degraus, vimos que havia uma manifestação religiosa la. Aparentemente alguém importante da Igreja estava la, porém os cartazes em tcheco não ajudavam a decifrar quem era.

Compramos nossos tickets de passeio, o que nos dava direito à sete construções do complexo. Começamos pela galeria do Castelo, um pequeno museu com obras de arte de artistas tchecos. Em seugida, fomos para o palacio real, uma grande construção que guarda algumas reliquias importantes para os tchecos. Em seguida, passamos no museu com a historia de Praga. Visitamos ainda a basilica do Castelo e o convento, que foi transformado em um grande museu de arte também.

Almoçamos em um restaurante no complexo, caro e cujos pratos não matavam a fome. Enfim, seguimos pela Rua de Ouro, uma rua com casas minusculas transformadas em lojas de turismo. Seguimos por fim para a Torre de Polvora, uma especie de amostra de armamentos de guerra, bem interessante. Apos estas visitas, descemos para a cidade, passando pela Ponte Carlos IV, uma bela ponte sobre o rio Moldava. Ainda foi possivel jantar num restaurante muito bom (o melhor da viagem com certeza), localizado perto do hotel. O restaurante, que se chama “Louvre”, era barato, suficientemente chique e servia pratos muito bons. Detalhe : naquele restaurante, alguns clientes razoavelmente célebres haviam passado por ali, gente como, por exemplo, Albert Einstein.

No dia seguinte, fizemos a maratona de retorno à Lille. Saimos do hotel de manha, bem cedo, para o aeroporto, com uma carona do dono do hotel. De Praga, voltamos para o aeroporto de Charleroi, na Bélgica. Pegamos na navette então que nos deixaria na estação de trem, de onde poderiamos pegar o trem para Lille. Nesta altura, o grupo ja havia se dispersado completamente : Yuri ficara em Budapeste, de onde iria para Milão e depois para o Brasil ; Tati pegara o avião para a Italia, onde passaria a segunda semana de suas férias ; Joaquim e Alessandra seguiram de Praga para Cracovia, onde continuariam sua viagem. Assim, retornaram à Lille apenas eu, Thais, Bruna e Joia.

A segunda semana das minhas férias ficou então praticamente restrita ao meu relatorio de estagio, que eu precisei entregar no final de abril. Em maio, fiz ainda a soutenance de estagio, que é a apresentação frente ao grupo das atividades que foram feitas durante as quatro semanas de trabalho.
Agora, estou apenas uma postagem atrasado em relação ao normal, sobre a viagem que fiz ha um mês aos castelos do vale do Loire. Até la!





Budapeste

30 05 2010

Segunda parada da viagem de Pascoa : Budapeste, capital da Hungria, para mim a mais interessante das cidades que visitamos! Chegamos em Budapeste passadas às 10 da noite, do onibus que vinha de Viena. Passamos algum trabalho para pegar o metrô : precisavamos de tickets, se não o policial não deixaria que entrassemos no metrô, mas o policial não conseguia explicar como sacar dinheiro. Na Hungria a moeda é o Forint (1€ = 260 Forints). Depois de algum sufoco e um saque de 4000 dinheiros num caixa eletrônico arcaico, compramos os tickets e fomos para o albergue. Chegando na estação do albergue, eu descubro que não tinha o endereço do albergue. Depois de tomar um xingão generalizado, guiei todos corretamente ao albergue pelo instinto! O albergue, por sinal, era muito bom: ficava no centro de Peste, parte leste da cidade de Budapeste, sendo que nosso quarto (que era um apartamento) tinha vista para a Catedral de St. Estevão, a maior da cidade.

A Hungria é o começo de uma Europa bastante diferente da ocidental. Começando pelo idioma, que não é mais românico ou germânico, e sim eslavo, totalmente incompreensivel para nos. O hungaro, por si so, é ainda mais diferente, uma das linguas mais dificeis do mundo, ao lado do finlandês, talvez. As coisas são mais baratas do que na Europa Ocidental (embora nem tanto assim), não ha todo o glamour e riqueza tal qual em cidades como Berlim, Londres ou Paris. Ainda assim, a historia desses paises é muito rica e são cidades muito agradaveis turisticamente.

Ficamos em Budapeste no dia 7 de abril e 8 de abril. No primeiro dia, tratamos de explorar o Castelo de Buda, um bairro antigo no alto da parte oeste da capital. O complexo do Castelo é composto por varios museus, restaurantes e construções construidos durante toda a Baixa Idade Média e Idade Moderna. Passamos a manhã inteira e o inicio da tarde explorando a area. Pela tarde, fomos para o outro lado da cidade (Peste), conhecer a Praça dos Herois e o parque Városliget.

No dia seguinte, fomos direto para o Parlamento, tentar conseguir uma reservação para a visita. Acabamos indo na visita guiada em Inglês, que foi muito interessante. O parlamento hungaro é o terceiro maior da Europa. A visita foi ainda uma aula de historia da Hungria, e apesar de curta (40 minutos) valeu muito a pena. Saindo do Parlamento fomos procurar a hungara que mora junto com a Bruna aqui em Lille, a Reka. Apos seguir um caminho completamente diferente do combinado para encontrar a guria, nos achamos na estação central e ganhamos um tour de uma habitante local na parte mais moderna da cidade.

As 22h, deveriamos estar na estação de ônibus para embarcar numa longa viagem para Praga. A viagem até a capital da Republica Tcheca demorava 7 horas de ônibus, durante toda a madrugada. Não foi uma viagem facil, devido aos outros passageiros serem um tanto “esquisitos”. Chegamos em Praga quase às 6 da manhã do dia seguinte, sem ter dormido muito bem. Mas isso é assunto para outra postagem!





Viena

25 05 2010

Finalmente à Viena, primeira parada da viagem de Pascoa, que foi curta, mas muito boa. Resolvemos viajar para o Leste Europeu (que na verdade é mais Centro do que Leste, mas sempre foi chamado assim). O roteiro classico de quem faz esse tipo de viagem é passar por Republica Checa, Eslovaquia, Hungria, Austria e Polônia. Destes, deixamos apenas a Polônia de fora. Partimos no dia 4 de abril do aeroporto de Charleroi, na Bélgica, para Bratislava, capital da Eslovaquia.

Nesta viagem estavam eu, Thais, Tati, Yuri, Joia, Bruna (nossa veterana), e ainda se juntariam o Joaquim e a Alessandra, de Marseille. Chegamos os seis primeiros em Bratislava no inicio da tarde do dia 4, e apos almoçar no aeroporto, fomos pegar o ônibus que nos levaria a Viena, capital austriaca, que fica a pouco mais de 50 km de Bratislava.

Viena foi a mais “europeia” das cidades que visitamos. Talvez seja pelo idioma, que é o alemão: apesar de dificil, é mais “familiar” do que o checo ou o hungaro. Talvez pela moeda, que é o Euro, o que facilita bastante as coisas. Mas também pelo aspecto da cidade, Viena é muito mais urbana e moderna do que Praga ou Budapeste.

Apos chegarmos no centro e ir para o albergue, que ficava bem longe do centro de cidade, no final de uma das linhas de metrô, largamos as bagagens no quarto e voltamos para o centro para dar uma caminhada. Ja era 8 da noite, logo, fomos para um bar recomendado pelos nossos veteranos para a janta. Em seguida, uma rapida passada em uma sorveteria muito boa no centro de Viena.

No dia seguinte, não tivemos muita sorte com relação ao clima. Choveu e estava frio. Ainda assim, fomos explorar a cidade, começando pela catedral central, a Stephansdom, uma catedral do século XIV muito bonita por dentro. Continuamos o passeio pelas ruas de Viena, até o palacio Real (Wofburg), que era uma antiga fortaleza do século XIII.

Pela tarde, fomos no museu de Sigmund Freud, que fica na casa que o mentor da psicanalise morou durante 47 anos. Apos a aula de psicanalise e da vida de Freud, saimos em direção ao Parlamento, tranquilamente. Ao parar num cruzamento para atravessar a rua, eis que vemos um acidente muito tenso na nossa frente. Um escort e uma camioneta se batem de frente, o ultimo quase capotando. Felizmente, não houve nada mais grave do que o cara do Escort mancando, pois pela batida podia ter acontecido coisa pior.

Passamos pelo parlamento e seguimos para a Karlsplatz para almoçar, eu, Tati, Thais e Bruna. Os outros ficaram para tras, provavelmente dançando na chuva numa praça (é complicado manter unido um grupo grande de viagem, durante toda a viagem praticamente estavamos sempre divididos em mais de um grupo). Almoçamos num McDonalds e fomos para o Museu da Musica, um grande museu bem interessante sobre a historia e a ciência da musica.

O dia seguinte estava felizmente bem mais ensolarado e agradavel. Visitamos pela manhã o castelo de Belvedere, que é na verdade composto de dois castelos, o inferior e o superior. O Belvedere é um palacio barroco do século XVII, e abriga na parte superior uma galeria que visitamos: nem lembro mais os quadros que tinha nela, não me pareceu muito interessante.

Pela tarde, fomos para o Palácio de Schönbrunn, este muito mais interessante. Ele é uma copia do palacio de Versailles, de Paris. O Schönbrunn é patrimônio historico da humanidade. No castelo, visitei os jardins ao fundo do castelo, não cheguei a entrar nele. Mesmo apenas os jardins foram suficientes para valer a visita: eles são tão esplêndidos quanto os de Versailles.

Saimos de Viena rumo à Budapeste no final do dia, de ônibus. Agora, estamos entrando em territorio hungaro, uma terra de uma lingua muito estranha e dos forints como moeda. Até a proxima!